A China Tem Fome

Abril 19, 2021/ Por Diego Costa e Priscila Paiva




Nos últimos anos observa-se no mercado de commodities agrícolas compradores chineses atuando de forma agressiva e com demandas enormes de compras. Como já se sabe, a China é o país mais populoso do mundo, hoje sua população é em torno de 1,4 bilhões de pessoas e todas precisam se alimentar. O governo chinês tem plena ciência disso, por isso boa parte dos seus incentivos são para garantir a segurança alimentar dessa população, para os próximos anos e décadas. Parte desse plano do governo inclui garantir a compra e estoque de soja. Esse grão é rico em nutrientes e a proteína mais barata em termos de produção, uma vez que serve tanto para consumo humano quanto para fabricação de rações para animais e uso industriais.

Atualmente a China produz apenas 14% da soja que consome e demanda todo restante de outros países, no qual o Brasil se tornou o principal fornecedor nos últimos anos. Como se sabe, com os efeitos da crise sanitária do COVID-19, a China entrou agressivamente no mercado, comprando soja disponível e também através de contratos futuros, para garantir que não faltará em seus estoques, pois quando se trata de abastecimento e segurança alimentar, contamos com as adversidades que podem acontecer, como problemas climáticos que afetam as produtividades da safra, por exemplo. O governo chinês consciente disso, trabalha sempre com essa hipótese, operando com estoques de segurança para não correr o risco de desabastecimento.




A crise sanitária mostrou o poder de controle da China em boa parte do mercado, uma vez que são os maiores consumidores de commodities agrícolas, por isso, os preços muitas vezes são sempre ditados por eles. Conforme citado anteriormente, o país se preocupa com o aumento e abastecimento do seu estoque para não correrem o risco de falta de abastecimento, devido a lockdown ou paralisações portuárias. Por isso, a soja praticamente dobrou de preço em menos de seis meses, situação inédita até então. E a tendência dessa demanda é somente aumentar, pois os cidadãos chineses estão aumentando sua renda per capta e consequentemente se alimentando melhor, consumindo mais proteínas animais e um maior valor de calorias diárias, o que consequentemente eleva a necessidade de produtos base, nos quais a soja fica no alicerce dessa cadeia.  

De acordo com alguns analistas do setor, a tendência é que a China ainda vai comprar muita soja pelo menos nos próximos dois anos e logo depois deve haver uma redução de demanda devido aos estoques alcançarem níveis de segurança. Mas como se pode perceber, a China está fazendo fortes investimentos no continente africano e em países sul-americanos, incluindo o Brasil. Essa estratégia tem como objetivo formatar parcerias para que possa sempre ter garantia de que não irá faltar produtos bases para abastecer a alimentação da sua população