Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho

Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho

20/05/2022 0 Por Daniel Costa

Mancha-branca do milho: entenda o que causa, sintomas, condições favoráveis, disseminação e manejo da doença.

A mancha-branca (ou pinta-branca) é uma doença foliar de grande importância agronômica. Ela está presente nas principais regiões produtoras de milho do Brasil.

Essa doença é agressiva e acontece mais em plantios de milho safrinha

Quando não controlada ou manejada de forma ineficiente, pode causar sérios prejuízos e reduzir a produtividade da lavoura.

O que causa mancha-branca do milho

A mancha-branca é uma doença do milho provocada por mais de um agente.

O principal microrganismo causador da mancha-branca é a bactéria Pantoea ananatis. Além dessa bactéria, alguns fungos também estão associados à doença, como:

  • Phaeosphaeria maydis;
  • Phoma sorghina;
  • Phyllosticta sp.;
  • Sporormiella sp.

Como a mancha-branca se espalha na lavoura

A disseminação dos microrganismos responsáveis pela mancha-branca ocorre pela ação do vento e por respingos de água.

Os patógenos sobrevivem nos restos culturais, constituindo a fonte primária do inóculo

As lavouras de milho em sistema de plantio direto estão mais sujeitas à ocorrência da doença. Afinal, nesses casos há aumento na concentração do inóculo.

Como identificar a mancha-branca no milho

Inicialmente, você vai observar sintomas nas folhas inferiores da planta de milho. Porém, com a evolução da doença, as folhas superiores também podem apresentar sintomas. 

As lesões começam na ponta das folhas. À medida que a doença avança, as manchas foliares progridem para a base das folhas do milho. 

Sintomas iniciais da mancha-branca na ponta da folha de milho 
(Fonte: Circular Técnica 167 — Embrapa)

As lesões foliares provocadas pela mancha-branca têm formato circular ou oval. Elas têm aspecto encharcado e coloração verde-clara.  Com o tempo, essas manchas tornam-se necróticas e adquirem coloração palha.

O tamanho das lesões varia de 0,3 cm  a 1,0 cm de diâmetro.

Sintomas da mancha-branca do milho
(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Dependendo da severidade da doença, os sintomas também podem ser observados na palha das espigas

A severidade da doença está relacionada ao nível de suscetibilidade do híbrido de milho. Condições ambientais também podem agravar a mancha-branca. 

A mancha-branca provoca a seca prematura das folhas. Ela também pode causar prejuízos ao processo de enchimento de grãos.

Em geral, não é comum observar sintomas de mancha-branca em plântulas de milho. Os sintomas da doença são mais severos durante a fase reprodutiva da lavoura, especialmente após o pendoamento.

Como fazer manejo preventivo da mancha-branca do milho

Melhor que cuidar da mancha-branca no milho é conseguir evitar que a doença chegue na lavoura. Isso é possível de três formas: através do manejo de resistência, da antecipação de semeadura e evitando as condições favoráveis.

Faça o manejo de resistência 

O primeiro passo do manejo preventivo é a resistência genética. Essa é uma alternativa eficiente e de baixo impacto ambiental no manejo dessa doença. 

Os híbridos desenvolvidos pela Embrapa (BRS 1010BRS 1030 e BRS 1035) são exemplos de milho com resistência à mancha-branca.

Evite as condições favoráveis da mancha-branca

O segundo passo é evitar as condições climáticas que favorecem a doença. A mancha-branca se desenvolve em alta umidade relativa do ar (acima de 60%) e temperaturas amenas (14 °C a 20 °C).

Geralmente, as lavouras de milho plantadas na segunda safra têm maior ocorrência da mancha-branca. Nesse período, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença:

  • elevado índice de chuvas;
  • noites com temperaturas mais baixas;
  • formação de orvalho.

A fase mais comum de início da doença é durante o estádio V9 de desenvolvimento do milho. A fase mais crítica acontece entre os estádios VT — R5.

Antecipe a semeadura

Outra boa forma de evitar a mancha-branca é a rotação com culturas não suscetíveis à doença

A antecipação da semeadura do milho também é uma boa opção.  Isso reduz as chances de que a fase de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições climáticas favoráveis à doença.

Melhores fungicidas para mancha-branca do milho

Se você identificou a doença na lavoura, é necessário fazer o manejo químico quanto o antes. A aplicação de fungicidas é indicada para plantações de milho suscetíveis à doença.

Uma pesquisa realizada pela Embrapa concluiu que alguns produtos têm baixa eficiência no controle da mancha-branca. São eles:

  • carbendazim (fungicida);
  • triazóis (fungicida);
  • oxitetraciclina (antibiótico);
  • kasugamicina (antibiótico).

O estudo também apontou que os fungicidas do grupo químico das estrobilurinas têm muita eficiência no controle dessa doença.

No controle químico, é essencial fazer a rotação dos produtos com diferentes ingredientes ativos. Isso previne o desenvolvimento de resistência dos patógenos.

Também é fundamental seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo e época de aplicação dos produtos. Esses fatores interferem na eficiência do defensivo agrícola no controle da mancha-branca.

Além de tudo, faça monitoramentos periódicos na lavoura. Essa ação permite identificar a doença ainda em fase inicial

Você também poderá quantificar a área afetada, estabelecer como é a distribuição na lavoura (reboleiras, bordaduras, etc) e quais os sintomas das plantas. 

O diagnóstico correto da doença, as informações coletadas no monitoramento e os dados meteorológicos são fundamentais para a tomada de decisão. 

A partir disso, é possível traçar um plano de manejo preciso para a doença. 

Vale lembrar que, no controle da mancha-branca, é fundamental a necessidade de adotar estratégias integradas de manejo

Conclusão

A mancha-branca é uma doença foliar causada por bactéria e fungos

Em geral, os sintomas são mais severos na fase reprodutiva do milho, especialmente após o pendoamento.

Alta umidade e temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento da mancha-branca. A disseminação ocorre pela ação do vento e respingos de água.

Faça um manejo integrado para garantir sucesso no controle. Plante híbridos resistentes e aplique defensivos químicos quando necessário. Na dúvida, consulte um especialista!

FONTE:Blogaegro.