Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

23/09/2022 0 Por Daniel Costa

Apaga-fogo: conheça as características, quais danos ela pode causar e controle preventivo, cultural, mecânico e químico

As culturas agrícolas são bastante suscetíveis às interferências das espécies invasoras.

apaga-fogo é uma erva daninha com ampla distribuição geográfica, presente em todas as regiões do Brasil. Ela tem maior ocorrência na entressafra, além de se disseminar com facilidade e infestar áreas de lavoura e pastagem.

Características da planta apaga-fogo

A planta apaga-fogo (Alternanthera tenella) é uma espécie invasora de grande importância na agricultura. A massa vegetal formada por ela dificulta o avanço do fogo quando são realizadas queimadas para renovação de áreas de pastagem. 

Ela também é popularmente conhecida pelos nomes periquito, sempre-viva, alecrim, corrente e perpétua-do-campo. Trata-se de uma planta da família Amaranthaceae

Para identificar essa planta daninha, você precisa se atentar aos seguintes detalhes: ela é herbácea, muito ramificada e tem ciclo perene. A apaga-fogo se desenvolve de forma prostrada ou ascendente, o caule é liso e pode atingir de 0,5 m a 1,2 m de comprimento. 

Foto da planta apaga-fogo com fundo preto, com algumas flores nascendo.
Planta apaga-fogo (Alternanthera tenella)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

As folhas da apaga-fogo têm de 2 cm a 3 cm. O sistema radicular é pivotante, as sementes são lisas e têm coloração castanha. A propagação da planta ocorre por sementes. Ela se alastra na área pelo enraizamento dos nós do caule quando em contato com o solo.

Foto das sementes e das folhas da apaga-fogo espalhadas em uma superfície
Detalhe das folhas e das sementes da planta daninha apaga-fogo
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Alternanthera tenella

Uma característica da planta daninha apaga-fogo é promover intenso sombreamento sobre a cultura. Ela forma uma barreira física à penetração da luz solar, o que afeta diretamente a produtividade da cultura principal. 

Além disso, ela reduz a disponibilidade de espaço e compete com a cultura principal por água e nutrientes. Ainda, pode ser hospedeira de pragas e doenças, e é hospedeira natural do ácaro Brevipalpus phoenicis, vetor da doença leprose dos citros. 

A presença de ervas invasoras no momento da colheita também é um problema. Elas podem causar o embuchamento da colhedora, além de depreciar o produto colhido e elevar os custos de beneficiamento dos grãos.

Além disso, as principais culturas afetadas pela apaga-fogo são:

  • soja;
  • milho;
  • café;
  • cana-de-açúcar
  • arroz;
  • algodão;
  • feijão.

Como eliminar a erva daninha apaga-fogo

É muito importante que as plantas daninhas sejam manejadas de forma integrada. A adoção de diferentes estratégias garante maior eficiência no controle da comunidade infestante.

As técnicas envolvidas no controle das plantas invasoras são divididas em manejo preventivo, cultural, mecânico/físico e químico. Confira a seguir como funciona cada um desses tipos de manejo.

Manejo preventivo

O manejo preventivo consiste em adotar medidas que evitem que sementes de plantas daninhas, como a apaga-fogo, sejam introduzidas em uma área onde ainda não foi identificada a presença dessas plantas. Algumas medidas são:

  • realizar o controle das plantas invasoras não apenas na área onde será instalada a lavoura, mas também nas beiras de estradas, nos carreadores e nas bordaduras;
  • realizar a limpeza do maquinário agrícola, a fim de evitar que torrões de terra contaminados com sementes sejam levados de uma área para outra; 
  • realizar o plantio da lavoura com sementes certificadas e com procedência conhecida.

Essas práticas contribuem não apenas para o manejo da apaga-fogo, mas também de outras plantas daninhas

Manejo cultural

O manejo cultural das ervas daninhas consiste na adoção de práticas que irão garantir o bom estabelecimento e desenvolvimento das plantas da lavoura. Dentre essas práticas temos:

  • bom preparo de solo;
  • adubação equilibrada;
  • plantio de cultivares/variedades adaptadas às condições ambientais;
  • rotação de culturas;
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas;
  • uso de coberturas verdes.

Manejo mecânico/físico

No manejo não químico ou mecânico as plantas daninhas podem ser eliminadas das seguintes formas:

  • arranquio manual (ou monda); 
  • capina manual;  
  • roçada; 
  • cultivo mecanizado realizado por cultivadores tracionados por animais ou trator. 

Manejo químico

O manejo químico é o mais utilizado para o controle de plantas daninhas em grandes áreas. A seguir estão listadas algumas moléculas herbicidas utilizadas no controle da planta daninha apaga-fogo:

  • Ácido diclorofenoxiacético (2,4 – D);
  • Ametrina;
  • Atrazina;
  • Diurom;
  • Flumioxazina;
  • Glifosao;
  • Imazetapir;
  • Nicossulfurom.

A eficiência da aplicação dos herbicidas envolve uma série de fatores. Por isso, sempre siga as orientações da bula do produto quanto à dosagem e o modo de aplicação

Também é preciso se atentar ao estágio de desenvolvimento da planta daninha e às condições climáticas no momento da aplicação.

Lembre-se de fazer a rotação de herbicidas com mecanismos de ação diferentes. Essa estratégia dificulta a seleção de plantas daninhas resistentes aos produtos. Ervas daninhas resistentes ao glifosato, por exemplo, são muito comuns.

Como a aplicação de produtos fitossanitários requer muitos cuidados, sempre procure a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). Isso irá garantir maior segurança e eficiência na aplicação dos produtos químicos.

Conclusão

A apaga-fogo é uma planta daninha encontrada em áreas de lavoura e pastagem e que se dissemina com facilidade. Ela ocorre em todas as regiões do Brasil. 

O manejo da apaga-fogo pode ser realizado pela adoção de estratégias preventivas, culturais, mecânicas/físicas e químicas. 

Para maior eficiência no controle das plantas invasoras, procure sempre utilizar mais de uma técnica de manejo. Vale lembrar que é importante que as práticas adotadas estejam inseridas no contexto ambiental e econômico da propriedade.

FONTE:AEGRO